Numa entrevista ao jornal argentino “La Nación”, o médio Enzo Pérez abordou, entre outros temas, a sua passagem pelo Benfica, confessando um pedido feito a Vieira, recordando os conselhos de Jesus e a maldição de Guttmann


O PEDIDO A VIEIRA
“Em Portugal, na primeira época, rompi a cartilagem do joelho no terceiro jogo que fiz. Operaram-me e custou-me muito. Estava mal da cabeça, animicamente destroçado, porque nunca tinha passado por isto. Estava sozinho com a minha mulher, na minha primeira experiência fora do país, e o joelho inflamado…. Foi duríssimo. Chorava, não sabia como ia ficar com o joelho, quis deixar de jogar. Falei com o presidente do Benfica: ‘Por favor, deixe-me voltar um semestre ao Estudiantes, tenho de ficar bem da cabeça, preciso de afeto.’ O meu agente falou com La Bruja [Verón], deram-lhe o ok, e nessa primeira metade de 2012 joguei outra vez no Estudiantes, e ainda que não tenha regressado com o nível com que tinha saído, fiquei muito melhor e regressei ao Benfica para voltar a jogar. A chave foi a minha mulher, María Florencia”


JORGE JESUS
“No Godoy Cruz, jogava como médio pela direita, num 4x4x2. Tinha de agarrar a bola numa metade do campo, tirar uma parede, fintar e pôr a bola ao meio. No Estudiantes comecei como oito e depois chateei tanto o treinador, que o meu sonho era jogar como médio ofensivo, atrás do 9, que ele acabou por me dar essa oportunidade em 2010 e vive meia época fantástica – saía-me tudo bem. E ainda por cima fomos campeões. Já no Benfica comecei pela direita e o Jorge Jesus, que hoje treina o Flamengo, propôs-me jogar como médio centro, num meio-campo a dois. Eu não queria saber nada daquilo, não me via ali, mas ele disse-me: ‘Fica tranquilo, vamos treinar, vou-te mostrar vídeos, faremos exercícios depois do treino’. Fui eleito o melhor futebolista do ano, o Jesus tinha razão. Taticamente, é um monstro”.

MALDIÇÃO
“Não joguei a final contra o Sevilha, na Liga Europa, porque me expulsaram contra a Juventus – dois cartões amarelos em 10 minutos, queria matar-me. Foi uma final incrível. Chegávamos à grande área e a bola ora batia num defesa ou o guarda-redes defendia. Falhámos muitos golos e ganharam-nos nos penáltis. Já estávamos debaixo da maldição do Béla Guttman, que disse que o Benfica não voltaria a ganhar uma competição internacional durante 100 anos. Naquela altura, já era a sexta competição perdida desde a aquela frase”.