Em Portugal só a macacada não pede desculpa. Pede desculpa Bruno de Carvalho a Carlos Barbosa, pede desculpa Jorge Andrade a João Félix. pede desculpa José Nuno Martins a Jorge Andrade. Matéria não tem faltado, de facto, para tanto arrependimento. Mas a macacada, não, a macacada não pede desculpa a ninguém.

As desculpas, por norma, aceitam-se. Uma pessoa ofende uma outra pessoa ou instituição num qualquer momento de desvario e, caindo em si. acabará sempre por pedir desculpa a quem ofendeu. Rezam as crónicas, por exemplo, que João Félix aceitou o pedido de desculpa de Jorge Andrade. João Félix, enquanto jogar em Portugal, vai continuar a levar pancada à farta e a rebolar por todos os campos do país enquanto Jorge Andrade, para seu desgosto, nunca mais se verá livre da fama de ter sido ele a fornecer a ideia. No entanto, mais importante do que tudo isso, é que ambos são gente de boa índole. Conclusão feliz? Sim, felicíssima para os parâmetros do nosso futebol faltando apenas conhecera opinião da RTP sobre o incidente produzido, proferido e difundido a coberto das suas instalações estatais.

No campeonato das ofensas existe, como não podia deixar de acontecer, uma tabela classificativa. Haverá até ofensas que se podem classificar como indesculpáveis e são essas, justamente, as que ocupamos fundos da tabela. Outras serão justamente classificadas como injustas ou infantis ou despropositadas ou infelizes ou inócuas ou vulgares ou (e estas são as mais raras) inteligentes.

No campeonato das ofensas, as piores, na minha opinião, são as que se podem classificar liminarmente de estúpidas. Tão estúpidas que até o ofendido ou os ofendidos as agradecem pelo seu grau de contraproducência. Temos como exemplo claro, claríssimo, de uma ofensa estúpida e contraproducente aquele ‘pasodoble’ com que a instalação sonora do Estádio da Luz brindou a equipa do FC Porto no momento em que saia de campo derrotada do encontro da 7ª jornada do campeonato corrente. A reação portista ao toureio insultuoso levado da Luz produziu uma série consecutiva de 18 jogos-18 vitória – que catapultou a equipa de Conceição para urna liderança confortável na Liga e ainda que, nos últimos tempos, o nível desse conforto tenha diminuído um bocadinho, apenas um bocadinho, a estupidez fez-se pagar bem cara.

Nesta semana houve dois dérbis. O balanço que o Benfica deve fazer desses jogos implica pragmatismo e um exercício urgente de modéstia porque se, para a Liga, o Benfica saiu de Alvalade apenas com uma certeza (se chegar ao fim da prova com o mesmo número de pontos do que o Sporting terá vantagem porque empatou como rival na 1ª volta e ganhou-lhe na 2ª volta) já para a Taça de Portugal, jogada a 1ª mão da meia-final na Luz o Benfica tem apenas por certo que uma vantagem tangencial com um golo sofrido em casa não é nada de especialmente invejável o resto é trabalho.