Leonor Pinhão: “Só haverá a lamentar que os eventuais conselhos matrimoniais prestados a Jorge Sousa não sejam já do domínio público”

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Foi uma boa semana da comunicação do Benfica. E nem foi preciso suar para que tudo corresse de feição. Foi, por outro lado, a pior semana da comunicação do FC Porto desde que entraram em vigor as coordenadas nascidas daquele concílio com o Sporting num quarto de um hotel em Lisboa e fotografado à socapa pelos serviços secretos sabe-se lá de quem. Antes de revisitarmos os passos trocados da comunicação do comandante da Liga desde o preciso instante em que Jorge Sousa deu por findo o jogo em Moreira de Cónegos, 100 minutos depois do apito inicial, é justo proceder ao reconhecimento do supremo laconismo do treinador Benfica ao longo da semana.

Até no futebol-falado da guerrilha ocorrem, por vezes, situações, em que menos é mais. Recapitulemos, então, o minimalismo do antigo treinador da equipa B da Luz. Sobre a goleada imposta ao adversário da 21.ª jornada do campeonato, disse: “O Benfica são as pessoas.” Quanto à interdição do Estádio da Luz por 4 jogos por requisição do Sporting – …e que lhe valerá por outros 4 títulos a reconhecer pela Assembleia da República –, afirmou Lage, sem dramas: “Jogaremos onde quer que seja.” No que diz respeito à primeira vitória do Benfica em solo turco com recurso a mais de meia-equipa de garotada formada em casa, anunciou burocraticamente: “Amanhã há treino.” E basta porque o importante é vencer no campo e, vencendo no campo, quanto menos conversa e menos explicações, melhor.

Outros, porém, não vencendo no campo no decorrer de uma semana (atípica), viram-se forçados a um registo inaudito de conversas a mais e, sobretudo, de explicações a mais. E, assim, lá foi obrigado – pelas circunstâncias e pelo patronato – o treinador das crianças do FC Porto a vir a terreiro explicar ao país as razões ponderosas e sábias que o levaram a excluir o Félix da “cantera” local e a despachá-lo para o Padroense. Como se não bastasse, no dia seguinte, lá se viu forçado – pelo patronato e pelas circunstâncias – o valente defesa central Filipe a vir a terreiro acrescentar à explicação oficial fornecida por F. J. Marques a sua própria explicação oficiosa para o gesto (atípico) que dirigiu ao seu treinador mal terminou o jogo em Roma.

Numa semana menos risonha em termos de resultados, de linguagem gestual e de outras coisas – bem melhor na delação do que na competição estiveram, por exemplo, os parceiros do Altis –, deu-se por feliz o patronato por não ter de dar explicações a ninguém. Patrão é patrão. Fala quando quer e visita quem quer sem que lhe exijam carta de intenções. E se foi à cabina dos árbitros no fim do jogo em Moreira de Cónegos só haverá a lamentar que os eventuais conselhos matrimoniais prestados a Jorge Sousa não sejam já do domínio público porque muita gente, árbitros e não-árbitros, beneficiaria certamente com tanto “know-how” acumulado. Isto é que não foi nada atípico.